Julho já tem o super El Niño mais intenso da história e pode ser um dos mais fortes desde 1950

Fenômeno tem 97% de chance de durar até o início de 2027, com pico previsto para o fim do ano, cujos impactos variam de região para região, com previsão de clima extremo, com seca no Norte, especialmente em Roraima

Um novo relatório climático aponta que o super El Niño está em +1,2°C em julho e já pode ser considerado um dos mais intensos deste mês na história. É o que indica o monitoramento mais recente da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), a agência climática dos Estados Unidos.

Jamais se viu um episódio de El Niño tão intenso em julho como agora e aquecimento em níveis recordes para esta época do ano reforça dos indicativos de que este evento do fenômeno de 2026-2027 tem potencial para se transformar no maior da história moderna dos registros.

A precocidade da marca é o fator que mais chama a atenção de meteorologistas. Historicamente, anomalias nesse nível só costumam ser atingidas no decorrer da primavera, entre os meses de setembro e novembro — como no evento de 2015-2016, quando o patamar só foi alcançado em meados de setembro.

Caso as projeções se confirmem ao longo do segundo semestre, o episódio de 2026-2027 pode se transformar no mais severo desde o início das medições instrumentais no planeta. Os modelos climáticos apontam 97% de probabilidade de que o El Niño continue ativo até o início da primavera de 2027. A próxima atualização oficial da NOAA está prevista para 13 de agosto de 2026.

Quanto mais intenso o El Niño, maior a chance de que seus efeitos típicos se concretizem – como secas no Norte e Nordeste do Brasil e chuvas mais intensas no Sul. Os impactos variam de região para região, mas eventos mais fortes aumentam significativamente as probabilidades de clima extremo. Em Roraima, a estimativa é de uma seca rigorosa, período que é marcado por queimadas descontroladas no lavrado e incêndios florestais.

Modelos de centros internacionais — como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade (IRI/Columbia) e a Organização Meteorológica Mundial (OMM) — indicam fortalecimento contínuo durante a primavera e o verão do Hemisfério Sul.

A mediana das estimativas aponta que o Índice Oceânico de El Niño (ONI) poderá alcançar cerca de +3,6°C no fim de 2026. Esse valor superaria o recorde histórico do evento de 1997-1998, um dos mais destrutivos já documentados desde 1950.

O que os dados mostram sobre o super El Niño agora

O super El Niño se intensificou no último mês, com uma grande área de anomalias na temperatura da superfície do mar superiores a +1,0°C no Pacífico equatorial central e oriental. O último valor semanal do índice Niño-3.4 foi de +1,2°C.

Os índices mais a oeste (Niño-4) e mais a leste (Niño-1+2) registraram +0,5°C e +2,7°C, respectivamente. O índice de temperatura subsuperficial equatorial também aumentou, à medida que uma recente onda de Kelvin descendente aprofundou a termoclina e elevou as temperaturas no Pacífico oriental.

Anomalias de vento oeste em baixos níveis e anomalias de vento leste em altos níveis foram observadas sobre o Pacífico equatorial ocidental e central. A convecção foi intensificada sobre o Pacífico equatorial central e centro-leste e suprimida sobre a Indonésia.

Os índices tradicionais e equatoriais da Oscilação Sul foram significativamente negativos. Coletivamente, o sistema acoplado oceano-atmosfera refletiu um fortalecimento do El Niño.

Relatótio do NOAA sobre o El Niño em julhoEl Niño já está em +1,2°C em julho, alerta NOAA (Imagem: Arte/ND Mais)

O monitoramento do fenômeno é atualizado semanalmente no site do Centro de Previsão Climática da NOAA.

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