Sem meias palavras, o delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva, ex-superintendente da PF no Amazonas, fez uma grave denúncia durante entrevista nesta terça-feira (14) colocando políticos de Roraima como integrantes do que ele classificou como “Bancada do Crime na Amazônia”. A fala foi durante participação no programa Estúdio I, da Globonews.
Entre os nomes citados estão de dois senadores de Roraima, Telmário Mota e Mecias de Jesus, os quais o delegado já havia denunciado por terem ido ao então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pedir a liberação de uma carga de madeira ilegal apreendida durante operação da PF no Amazonas.
Perguntado se já havia sido ameaçado de morte, o delegado afirmou que “a maior parte dos políticos do Norte” trabalharia para o crime organizado, citando “deputados, senadores e governadores”. “Vou dizer nomes: Zequinha Marinho, Telmário Mota, Mecias de Jesus, Jorginho Mel (de Santa Catarina!), mandou ofício… Carla Zambelli foi lá também, defender madeireiro junto com Ricardo Salles. Nós temos uma bancada do crime. Na minha opinião, de marginais. São bandidos”, afirmou Alexandre Saraiva.
Denarium apontado como apoiador do garimpo

O delegado Alexandre Saraiva disse que até o prefeito de Rorainópolis foi à Superintendência da PF no Amazonas, acompanhado dos madeireiros (chamado pelo delegado de “criminosos”), pedir uma audiência com ele para que fosse liberasse a madeira ilegal apreendida.
Nem o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), foi esquecido na entrevista. O delegado lembrou que o governador roraimense defendeu o garimpo abertamente e que até chegou a sancionar uma lei estadual legalizando o garimpo, lei esta derrubada pelo STF posteriormente.
Transferido após apreensão histórica de madeiras
O delegado Alexandre Saraiva foi transferido da Superintendência da PF no Amazonas após comandar a maior apreensão de madeira ilegal da história do Brasil, em 2021. Ele foi retirado do cargo um dia após apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra Ricardo Salles, acusado de dificultar as investigações.
O então ministro deixou o cargo após a denúncia de participar de um esquema que exportava madeira extraída ilegalmente para os Estados Unidos. O caso só veio à tona depois de uma denúncia de autoridades norte-americanas que citaram o nome de Salles no esquema de madeiras ilegais enviadas da Amazônia para os Estados Unidos. O caso foi abafado no Brasil e nunca mais se falou nisso.
