
A mobilização que interditou a fronteira com o Brasil e a Venezuela, esta semana, e que culminou hoje com a distribuição de salsichas a populares na Praça do Centro Cívico, em Boa Vista, não passou de uma grande fachada para encobrir a verdade dos fatos. E a verdade é que nunca houve nenhuma restrição para entrada de mercadorias brasileiras na Venezuela. Tudo isso foi uma grande encenação, que chegou a mobilizar até dois senadores e o governador Antonio Denarium.
O fato é que a restrição das autoridades venezuelanas foi imposta somente para a entrada de alimentos exportados pela empresa Frios Roraima, especialmente salsichas, que foi alvo de uma operação da Receita Federal no dia 1º de junho, em suas instalações no Município de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. Depois dessa ação que investiga sonegação e contrabando é que os produtos alimentícios começaram a estragar por causa da restrição imposta pelas autoridades.
A empresa é suspeita de envolvimento com uma rede de contrabando de salsichas para o lado venezuelano, por isso a Receita Federal realizou a operação, no dia 1º, para verificar o cumprimento das normas tributárias e aduaneiras nas atividades de exportação de salsichas e outros embutidos para a Venezuela, onde a empresa tem sede na cidade de Los Teques, Estado Miranda.

Para tentar dar uma conotação de perseguição, a Frios Roraima organizou esta série de manifestações na fronteira e a distribuição de salsichas em Pacaraima e em Boa Vista, na manhã desta sexta-feira, cuja fila quilométrica atraiu principalmente venezuelanos, os quais fogem de seu país devido à crise, a mesma crise da qual a empresa investigada se beneficia da diferença de preços e da escassez de alimentos que afeta a população da Venezuela.
Perseguição e tiroteio em fiscalização na fronteira
A fiscalização imposta a empresa no lado brasileiro resultou inclusive em perseguição a um veículo, com tiros disparados pelos agentes federais na tentativa de impedir a fuga dos suspeitos para o país vizinho. A cena de tiroteio chegou a provocar pânico na fila de venezuelanos que aguardavam procedimentos para atravessar a fronteira, no dia 1º.
Durante a operação, as autoridades da Receita Federal encontraram no estacionamento da empresa, em Pacaraima, carros com placa venezuelana responsáveis por transportar salsichas ilegalmente para o lado venezuelano. Enquanto os agentes brasileiros realizavam a apreensão da mercadoria e a identificação dos condutores, pelo menos um deles conseguiu fugir.
Governador ignorou até o ‘O Rei do Contrabando da Salsicha’

Como toda história foi abafada, as notícias divulgadas na imprensa local e redes sociais davam conta de uma perseguição das autoridades venezuelanas às exportações das empresas brasileiras. Até o governador Antonio Denarium foi lá para atuar em favor da empresa, o mesmo governador que nunca se mobilizou para resolver a situação precária da BR-174, destruídas por essas mesmas carretas das empresas exportadoras, e de uma solução da imigração desordenada que ameaça provocar o caos no Estado.
O governador inclusive ignorou o que vem noticiando a imprensa venezuelana, a qual denunciou que o dono da Frios Roraima (Mercantil e Comercio de Frios Ltda), o empresário brasileiro Allan Luiz de Oliveira, é sócio do venezuelano Nuno Condesso Martínez Martins na empresa Atacaraima Comercio, Atacado e Exportacao (Atacaraima Comercio e Atacado de Produtos Alimenticios Ltda). Nuno Martínez Martins é conhecido na Venezuela como “O Rei do Contrabando da Salsicha”.
A mesma publicação faz questão de frisar que existem processos judiciais abertos contra Allan Luiz de Oliveira, no Estado de Roraima, devido à evasão de impostos sobre a circulação de mercadorias. Tudo dentro do antigo script que todos os roraimenses já conhecem, em que os grandes protegem os grandes.

Da mesma forma agiram os senadores Mecias de Jesus e Hiran Gonçalves, que foram até ao Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, mas tiveram que sair de cabeça baixa porque as autoridades brasileiras já sabiam sobre a verdade dos fatos, que toda essa encenação foi uma forma encontrada para jogar a opinião pública contra a fiscalização ao contrabando de salsichas e contra a diplomacia brasileira e venezuelana.
