
O que as agências climáticas vêm anunciando está se confirmando pelos produtores rurais de Roraima sobre a chegada do fenômeno climático El Niño, que já pode ser considerado um dos mais intensos deste mês na história, conforme aponta um novo relatório da a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), a agência climática dos Estados Unidos.
Os reflexos da mudança climática estão sendo divulgados pelos produtores de soja e milho, em suas redes sociais, os quais relatam cerca de 25 dias sem chuvas nas regiões Norte (Pacaraima e Amajari), Centro-Sul (Mucajaí) e Boa Vista, além do forte calor. Significa que o inverno roraimense perdeu força mais cedo, com chuvas esparsas, chovendo abaixo na normalidade em algumas áreas e em outras sem qualquer precipitação.

No Município do Amajari, produtores de uma propriedade, que esta semana completou um ano de plantio de soja, anunciaram que a falta de chuva regular irá provocar uma quebra significa na safra, pois as plantas estão sofrendo com a seca e os grãos não se desenvolveram o suficiente para garatir o mínimo de qualidade.
No Município de Mucajaí, a situação é muito semelhante. Plantios feitos recentemente dependerão de chuvas regulares nesse fim de julho e início de agosto. Caso o clima siga de forma irregular, com chuvas esparsas e abaixo da normalidade, os prejuízos também serão certos, a exemplo do que já ocorre no Amajari.
Conforme os relatos de produtores, a situação é mais tranquila a partir de Iracema, no Centro-Sul, e nos demais municípios da região até o Sul do Estado, onde o regime de chuva se mantém. Embora Iracema seja vizinha de Mucajaí, o clima se diferencia porque lá as áreas de lavrados começam a dar espaço para as áreas de florestas.
O desespero dos produtores de soja e milho é apenas parte dos reflexos do super El Niño que se formou e que se intensificará a partir de agora. Depois que as chuvas cessarem completamente, instalando o período de seca antecipadamente, que é o verão roraimense, os riscos são de iminentes incêndios florestais e queimadas descontroladas nos lavrados, já muito secos devido à falta de chuva em julho.
São tragédias ambientais anunciadas, as quais deverão atingir severamente as regiões onde os produtores de soja estão constatando a falta de chuva: Amajari, Pacaraima, Mucajaí e Boa Vista. Até agora não se viu nenhum plano de contingência para evitar tragédias maiores e prejuízos econômicos além do que os produtores projetam. O alerta vem sendo dado desde o ano passado.
*Por Jessé Souza
