Roraima é um dos sete estados brasileiros onde aumentou o número de mortes violentas

Sob o garimpo ilegal, Roraima segue a Região Norte no crescimento de mortes violentas no país (Foto: Divulgação)

Uma leitura dos números atualizados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostra que o Brasil antecipou em dois anos a meta de redução de homicídios. No entanto, enquanto houve uma queda de 8,2% nas mortes violentas intencionais em 2025 no país, o Estado de Roraima apresentou uma alta 5,8% nesse tipo de crime, aparecendo na lista das sete unidades da Federação onde os indicadores cresceram no período.

As mortes violentas intencionais apontadas no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), englobam homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial, tanto em serviço quanto fora dele. Porém, em outra ponta, Roraima está na lista dos estados que não registraram morte por policiais, nem policiais mortos por ações criminosas.  

Nada que surpreenda os roraimenses, que passaram a normalizar cenas de corpos desovados nas áreas centrais de Boa Vista e em alguns bairros da periferia dominadas por facções brasileiras e venezuelanas, além de municípios do interior e de áreas de garimpo sob o comando do narcogarimpo, também sob controle de organizações criminosas de São Paulo, Rio de Janeiro e da Venezuela.

Tudo dentro desse roteiro macabro em que os povos Yanomami estão passando nesse momento, com mortes inclusive de criança indígena a tiro, revelando o que também já sabemos sobre armas do crime organizado introduzidas a partir do garimpo ilegal, cuja porta de entrada é o país venezuelano onde o garimpo é controlado por uma máfia consorciada entre militares, autoridades do governo, faccionados e outras organizações criminosas regionais que por lá se estabeleceram.

Roraima segue dentro da realidade do Norte brasileiro apontada pelo Anuário entre as regiões mais violentas do país, onde também prevalecem organizações criminosas locais e nacionais, bem como a ação do narcogarimpo em terras indígenas, especialmente Pará, Amazonas e Rondônia.

Aliás, esses estados são a origem da maior parte do ouro ilegal apreendido em grande quantidade em Roraima, para onde o minério é enviado a fim de ser lavado na Guiana, para onde se mudaram os empresários de garimpos que atuavam na Terra Yanomami e tiveram que se mudar quando o governo brasileiro passou atuar no combate ao garimpo ilegal.

Longe da leitura desses números estão os políticos, que se veem mais preocupados com as eleições em outubro do que em resolver os grandes problemas e a ação do crime organizado. Inclusive, os atores do garimpo ilegal que atuam na Guiana e outros estados estão de olho nessa disputa com a finalidade de buscarem não só imunidade parlamentar, mas uma cadeira cativa nas bancadas locais e federais que defendem o garimpo ilegal e a ação de milicianos.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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