
Quem for fazer uma busca rápida na internet sobre falta de água em Boa Vista facilmente irá encontrar como resultado uma longa lista de falta de água nos bairros, desde um “apagão” total ao número de 10 a 20 bairros sem fornecimento de água por causa de problemas na rede de distribuição. Se na Capital é um problema recorrente, em determinadas localidades do interior de Roraima (senão em todas) é um problema quase que diário.
Além de a falta de água ser um problema sério e constante, andar pela Capital de Roraima também é um exercício ao olfato, que por sua vez significa que há algo muito sério em relação a esgotos lançados nos igarapés que cortam a cidade, revelando sérios problemas ambientais e coletivos, uma vez que esses córregos deságuam no principal manancial de água potável do Estado, o Rio Branco, de onde é feita a maior parte da captação da água servida à população.
O que existe de conexão nisso é a responsabilidade da Companhia de Água e Esgoto de Roraima (Caer), uma sociedade de economia mista que detém a concessão dos serviços públicos de saneamento básico e de captação e distribuição de água no Estado de Roraima. Os sérios problemas no sistema de fornecimento de água e na coleta de esgoto não são de hoje e parecem que só pioram com o passar dos anos, quando a cada governo a empresa vai parar nas mãos de algum político aliado, dentro do jogo democrático que a política permite.
Par ilustrar ainda mais a questão, ainda em 2020 a Caer foi responsável por 46,1% de toda a dívida do Governo do Estado com a empresa energética roraimense, débito acumulado desde o início da gestão do atual governador, valor que chegou a um montante de R$ 37,6 milhões do total de R$ 81,5 milhões em dívida com a conta de energia.
Saltando para 2024, um fato que preocupa é a recente contratação de uma empresa paulista por R$4,6 milhões para emitir contas de água e entregar avisos de contas atrasadas para os consumidores inadimplentes. E isso ocorre logo após a empresa reajustar em 23% o valor da tarifa de consumo de água e em um momento em que o mundo se aprimora em tecnologia para eliminar o papel e das atividades burocráticas.
Em vez de incentivar o consumidor a se livrar da conta física, eliminando o papel para que as pessoas possam acessar suas contas por meio de aplicativos, a Caer faz um gasto significativo com uma empresa de fora para imprimir mais papel. E isso diante de uma prestação de serviço de qualidade muito questionável, com constante falta de água devido a um sistema que precisa ser modernizado.
Uma breve pesquisa sobre falta de água em Boa Vista já será suficiente para listar as preocupações com aquela companhia. Andar nas avenidas onde há igarapés – a exemplo do Mirandinha, na privilegiada zona leste da Capital, do Caranã, na periférica zona oeste, e do Caxangá, no Centro – dá para sentir a fedentina que eles se tornaram devido ao lançamento de esgoto direto em seus leitos, já transformados em esgoto a céu aberto. São crimes ambientais que também passam ao largo dos órgãos ambientais e fiscalizadores.
Além de tudo, são recorrentes denúncias nas redes sociais e grupos de compartilhamento de mensagens sobre contratação de servidores supostamente apadrinhados, o que se soma a uma estranha situação de uma empresa imprescindível para o fornecimento de água potável e coleta de esgoto sanitário. Significa que algo precisa ser feito pelas autoridades a quem compete fiscalizar. E urgente!
Por Jessé Souza (jesseroraima@hotmail.com)
