Não se trata apenas de pacotes de dinheiro e cesta básica circularem em tempos de campanha eleitoral. Diz respeito a políticos condenados ou flagrados em casos de corrupção andarem livremente por aí sem ser incomodados – inclusive alguns com tornozeleira eletrônica. No Senado, dos três parlamentares que representam Roraima, dois têm sérias complicações com a polícia e/ou a Justiça.

MECIAS DE JESUS
O senador Mecias de Jesus (Progressista), por exemplo, foi condenado junto com o ex-governador Neudo Campos no maior esquema de corrupção de todos os tempos, que foi o “caso gafanhoto”. A condenação ocorreu em janeiro de 2022, a qual narra que Mecias enriqueceu de forma ilícita quando ainda era deputado estadual, por isso a sentença o obrigou a pagar multa de R$ 1,9 milhão.
GAFANHOTAGEM FAMILIAR
Neste rumoroso caso em que pessoas eram incluídas na folha de pagamento do governo sem trabalhar, está boa parte da família do hoje senador, entre eles Darbilene Rufino do Vale (esposa), Danilvon Rufino do Vale (cunhado) e Alfonso Rodrigues do Vale (sogro), além de outros “testas de ferro”, os quais receberam a condenação de pagar multa de R$ 1,9 milhão.
DINHEIRO VIVO
Um detalhe importante é que não foi a primeira vez que a Polícia Federal flagrou pacotes de dinheiro com o pessoal de Mecias, a exemplo do que ocorreu em Alto Alegre, na semana passada, dias antes da eleição suplementar que escolheu o prefeito para um mandato tampão até o fim do ano. Lá atrás, também às vésperas de eleição, um assessor do político foi flagrado com uma mochila abarrotada de dinheiro vivo, caso que já foi inclusive esquecido.
CHICO RODRIGUES
O senador Chico Rodrigues (PSB) é outro que circula por aí como se ninguém soubesse o que ele fez no verão passado, quando em outubro de 202 foi flagrado pela Polícia Federal com R$ 33 mil na cueca. O episódio que repercutiu no país ocorreu durante cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa do parlamentar, na operação que apurava um esquema criminoso de desvio de recursos públicos destinados ao combate à Covid-19 em Roraima.
JUSTIFICATIVAS
A cena descrita pela PF em seu relatório é que o senador vestia um short de pijama azul e uma camisa amarela quando os policiais chegaram à residência do parlamentar, que “insistentemente ocultava valores em suas vestes íntimas”. A justificativa para esconder o dinheiro é muito semelhante ao alegado por Mecias: dinheiro para pagar funcionários. No caso de Mecias, parte do dinheiro caiu das roupas de um segurança.
HIRAN GONÇALVES
O senador Hiran Gonçalves é o único que não tem um escândalo nacional em seu currículo. No entanto, Como médico e político, ele fez parte de toda essa desgraça que se tornou a saúde pública roraimense. A então governadora Suely Campos, que se elegera pelo PP, cujo partido passou a ser comandado por Hiran, só conseguiu viabilizar sua candidatura para disputar a reeleição em 2018 quando entregou a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), “de porteira fechada” (como foi dito à época) para Hiran Gonçalves.
BENEVOLÊNCIA
De lá para cá, todos sabem do antro de corrupção que se tornou a saúde pública estadual, continuando até hoje no governo Denarium (PP), que tem Hiran como um de seus principais aliados. Ainda como deputado federal, em vez de ajudar a saúde roraimense, Hiran costumava destinar emendas parlamentares para outros estados, como o Rio Grande do Sul e até São Paulo, o Estado mais rico da América do Sul.
CURRÍCULOS SUJOS
Se for puxar o currículo de ex-parlamentares, a lista de currículos sujos seria bem maior. Mas basta citar o caso do ex-senador Telmário Mota, que se passava de arauto da moralidade, mas hoje está detrás das grades acusado de ter abusado sexualmente da própria filha adolescente e de ter contatado um pistoleiro para executar a mãe da garota, dias antes de ela depor na Justiça exatamente sobre esse caso.
JUNTOS E MISTURADOS
E por lembrar de Telmário Mota, morto e enterrado na política roraimense, ele é citado no escândalo do dinheiro na cueca. Conforme depoimento de ex-coordenador-geral de Urgência e Emergência da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), Francisvaldo de Melo Paixão, em depoimento à Polícia Federal, havia um quarteto de parlamentares envolvidos no esquema de desvio de verbas de emenda parlamentar ligada ao combate à pandemia.

UM QUARTETO
Conforme os autos, que agora seguem sob sigilo, além do senador Chico Rodrigues flagrado com dinheiro na cueca, estariam ainda envolvidos o senador Mecias de Jesus, o então senador Telmário Mota (hoje preso) e o então deputado federal Jhonatan de Jesus, filho de Mecias e que atualmente é ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Aqui está a mais alta expressão do que se tornou a política roraimense.
