Autoridades precisam dar respostas à obra do Hospital de Bonfim que há 6 anos espera ser realizada

Corredor de escola é usado como depósito de equipamento hospitalar em Bonfim (Foto: Divulgação)

É imprescindível que os órgãos de controle estejam atentos às denúncias que partem do Município de Bonfim, localizado à leste do Estado, na fronteira com a Guiana. Moradores de lá denunciam que a obra de reforma do hospital estadual, a qual deveria ter sido concluída com recursos de emenda do ex-deputado Jhonatan de Jesus, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), segue paralisada seis anos depois de anunciada.

Embora seja uma situação grave, pois a população que precisa de atendimento médico é atendida de forma improvisada em dois locais, parte no prédio de uma escola e outra em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), não é de agora o surgimento de escândalos naquela localidade, inclusive alvo de uma recente operação da Polícia Federal em Boa Vista.

Em 30 de setembro do ano passado, ocorreu a prisão de três pessoas que estavam de posse de R$ 510 mil em espécie durante operação da Polícia Federal (PF) na saída de uma agência bancária na Capital. As investigações apontaram para um possível esquema de fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos milionários da Prefeitura de Bonfim.

A PF indicou que os valores estariam ligados a uma construtora de fachada, que desde 2020 firmou contratos de mais de R$ 50 milhões, mesmo sem ter estrutura compatível para executar as obras. Parte do financiamento dos serviços é proveniente de uma emenda parlamentar direcionada pelo deputado estadual Coronel Chagas, irmão do prefeito da época, Joner Chagas, que chegou a ser preso recentemente.

Trata-se de uma situação muito parecida com a da obra do Hospital de Bonfim nunca realizada. Anunciada em 2020, o mesmo ano da investigação aberta pela PF, a obra segue paralisada sem qualquer placa de identificação com valores e detalhes da obra. O que chama a atenção é que, enquanto a obra do hospital não sai do papel, a Escola Estadual Argentina é utilizada para abrigar a farmácia, cozinha e depósito para macas e colchões, causando sérios prejuízos à formação dos alunos.

Não é apenas o corredor principal na entrada da Escola Argentina que está sendo utilizado como depósito de macas e colchões do hospital. Materiais e equipamentos hospitalares, inclusive cadeiras de roda, estão jogados no terreno da escola, se deteriorando com o tempo e atrapalhando o ambiente escolar que já não apresenta boas condições, cujo prédio escolar necessita de reforma há muito tempo.

Enquanto a escola é utilizada como depósito hospitalar, farmácia e cozinha, outra parte dos serviços de saúde está funcionando de maneira inadequada e improvisada na UBS Cristino José da Silva, sobrecarregando aquela unidade e impondo à população um atendimento fora dos padrões necessários para garantir uma saúde pública de qualidade.

Chama a atenção ainda o fato de que todo o material e equipamentos novos adquiridos para o Hospital de Bonfim foram levados para inaugurar outra unidade no Município de Alto Alegre, conforme denúncias de moradores levada a públicos nas redes sociais de forma anônima a fim de evitar perseguições políticas.

E tudo isso sob o silêncio das autoridades municipal e estadual, além dos órgãos fiscalizadores. A população de Bonfim não pode continuar sendo penalizada por desmandos administrativos e esquemas que minam recursos que deveriam garantir o bem-estar coletivo, conforme as investigações da PF. Outras denúncias semelhantes estão surgindo em várias localidades do interior do Estado e que demandam atenção de quem tem a obrigação de fiscalizar.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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