Morte no trecho urbano da RR-205 e a necessidade de fiscalizar e regulamentar carros oficiais

Carro do governo atropelou pedestre no trecho urbano da RR-205 nesta manhã (Imagens: Reprodução/Redes sociais)

A morte trágica de um pedestre na manhã de hoje, no trecho urbano da RR-205, estrada que dá acesso ao Município de Alto Alegre, traz várias camadas que vão além da guerrilha gratuita no trânsito roraimense em que a imprudência é a principal causa que tem tirado a vida das pessoas na Capital e no interior. Essa questão precisa de uma rápida intervenção por parte das autoridades a fim de salvar vidas.

O acidente dessa sexta-feira envolveu um carro oficial do governo estadual, mais precisamente da Setrabes, em uma via que vem registrando problemas desde o início das obras de duplicação e iluminação, em junho de 2022. Vários protestos foram realizados por moradores prejudicados por falta de sinalização que evitasse acidentes e da inexistência de retornos que atendessem aos moradores dos bairros Cidade Satélite e Jardim Primavera, em clara evidência de falha na engenharia de trânsito.

Desde lá, vidas foram ceifadas por causa desses problemas. E continuam nos dias atuais, desta vez mostrando a necessidade de semáforos para garantir a segurança de pedestres e radares que impeçam a imprudência de condutores que costumam imprimir alta velocidade naquele trecho de grande movimento, tanto por parte de moradores daquela região, que está em amplo crescimento urbano e populacional, quanto por ser utilizado por quem chega ou sai em direção a Alto Alegre.

O atropelamento do pedestre traz fortes evidências de ter sido provocado por alta velocidade por parte do veículo da Setrabes, pois o veículo parou na pista contrária após atravessar o canteiro central. A destruição do capô do carro também indica o grande impacto devido a uma nítida imprudência por excesso de velocidade. A perícia deverá comprovar os fatos, pois ainda que por ventura tenha ocorrido um problema mecânico, as evidências apontam a alta velocidade como motivo principal.

Aqui entram outras questões que precisam estar na pauta das autoridades e legisladores, a fim de manter maior controle sobre os veículos oficiais, tanto os de propriedade dos governos, que são identificados por adesivos e pelas placas oficiais; e especialmente os veículos alugados, os quais não costumam ter qualquer tipo identificação e circulam livres de qualquer cobrança e fiscalização por parte do cidadão, tanto no que diz respeito à questão de imprudência quanto ao uso de um bem pago com dinheiro do contribuinte.

Exemplo disso foi acidente que ocorreu em 17 de agosto de 2025, na BR-401, quando quatro pessoas da mesma família perderam a vida em uma colisão entre dois carros, um deles um veículo alugado por uma secretaria do governo estadual, que colidiu na traseira do outro onde estavam as vítimas fatais. O fato passou em branco pela mídia porque o carro não tinha qualquer identificação.  E ficou por isso mesmo, sem qualquer cobrança por parte da sociedade.

A realidade indica a necessidade de maior controle sobre os veículos oficiais, incluindo os alugados por prefeituras e governo estadual. Há tempos que a legislação já deveria ter sido alterada para que haja obrigatoriedade de todos os veículos alugados por governos sejam identificados por adesivos. Também existe a imediata necessidade de todos os veículos dos governos, incluindo os de passeio, tenham a obrigatoriedade de ter tacógrafo instalado.

A questão de alta velocidade por parte de condutores de veículos oficiais é outra questão, pois trata-se de uma prática contumaz nas estradas, muitas vezes não só pela imprudência do condutor. Também há cobranças imprimidas pelas secretarias de governo para que esses veículos acompanhem várias solenidades no mesmo dia e em locais diferentes e distantes, no interior do Estado, ou para que tudo seja feito às pressas a fim de evitar pagamento de diárias.

Passou da hora de fiscalizar tudo isso, a fim de alterar a legislação para que sejam instalados tacógrafos e identificados os veículos alugados pelos governos, além de limitar e regulamentar por lei ou decreto o horário e quilometragem por motorista. Da forma que tudo isso é feito, muitas vidas são colocadas em risco. Afinal, quem saberá o motivo do motorista estar dirigindo em alta velocidade ao matar um pedestre na RR-205, se por imprudência ou por estar recebendo ordens para cumprir uma agenda abusiva?  

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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