PEC da Segurança surge em um mento crucial quando organizações criminosas se enraízam

Realidade do México acende sinal vermelho na América do Sul, especialmente no Brasil (Imagem: Divulgação)

Enquanto os Estados Unidos bombardeiam o Irã e ameaçam outros países em nome do petróleo, boa parte da população brasileira está sendo bombardeada pela anestesia do discurso da direita e da esquerda. E um dos assuntos que está passando longe das discussões e do debate público é a PEC da Segurança Pública, que pode ser entendida como a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).

O tema é de uma relevância estratégica para o Brasil diante do que está ocorrendo no México, com a morte de Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), no mês passado, que desencadeou uma série de ataques violentos em diversas regiões daquele país. O enfraquecimento do cartel mexicano pode fortalecer outras facções na América Latina, especialmente a facção brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC), que se associou em Roraima com organização criminosa venezuelana Tren de Aragua, aliança que se estende por ao menos outros cinco estados brasileiros.

Membros do Tren de Aragua (que chegou ao Peru, Equador e até os EUA) se passaram por refugiados e usaram benefícios do governo brasileiro para expandir sua influência no crime, enquanto o PCC ofereceu sua rede de distribuição e controle territorial, facilitando o tráfico de drogas e armas. Essa é a importância da aprovação da PEC da Segurança Pública não só para Roraima, mas também para a Amazônia, uma vez que o Brasil não é mais apenas rota do tráfico internacional, mas também ponto de refinamento de cocaína em favelas e periferia das grandes capitas brasileiras.

Com a desestruturação da organização criminosa mexicana, se nada for feito de forma estruturada e em curto espaço de tempo, o vácuo institucional na Segurança Pública poderá permitir que as florestas da Amazônia sejam usadas para refinar drogas e servir de rotas de drogas sintéticas para a Europa, da mesma forma que o PCC entrou para o garimpo ilegal e o comércio de mercúrio, associado com o Tren de Aragua, a partir da Terra Indígena Yanomami.

Conforme especialista vêm afirmando, o PCC vem se mostrando mais organizado e profissional do que os mexicanos nos últimos anos, caminhando para se tornar uma multinacional do crime, agindo profissionalmente sem partir para o confronto direto com as forças de Segurança Pública, corrompendo políticos regionais e cooptando maus policiais. Roraima é o exemplo mais concreto, inclusive onde a população já normalizou pessoas sendo executadas à luz do dia e em locais movimentados.

Embora a PEC da Segurança Pública seja um tema complexo, ela precisa ser entendida como um fator decisivo para o país. Aqui está o papel fundamental dos políticos eleito por nós para que acompanhem de perto e levem o assunto ao debate público para a sociedade civil. Ninguém pode se omitir, sob pena de estar contribuindo para o crime organizado se estabelecer definitivamente no país, se apropriando da Amazônia, da mesma forma que está ocorrendo em Roraima, onde o crime já se estende a gabinetes parlamentares.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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