
Principal ponto turístico de Roraima localizado no Município de Amajari, a Serra do Tepequém vive um período de muita apreensão com pontes de madeira que remetem a uma realidade arcaica do garimpo de décadas passadas, com estrutura precária e ameaçando desabar. O que contribui para complicar a situação é a falta de manutenção preventiva e o histórico descaso com a inexistência de um projeto para que sejam construídas estruturas definitivas de concreto.
A incapacidade dos seguidos governantes, repetida pelo atual governo, pode ser traduzida nos últimos fatos: as pontes só passaram por manutenção e reforma quando suas estruturas quebraram devido ao peso severo de caminhões ou porque as madeiras apodreceram devido à ação do tempo e de cupins. É a política do “quanto pior, melhor”, em que se espera o pior acontecer para somente depois agir, sob a rubrica de obra emergencial, em que não se exige licitação e, por conseguinte, dificultando maior rigor na fiscalização.
Essa é a realidade que está ocorrendo nesse exato momento, em que a ponte sobre o Igarapé Tucumã, entre a Vila Brasil e Tepequém, está com toda sua estrutura de madeira sendo substituída, depois que as chuvas torrenciais na região quase a arrastaram, no inverno do ano passado. Devido à morosa obra, um desvio emergencial com aterro no leito do igarapé foi feito sem muitos cuidados técnicos, que se tornou um atoleiro intransponível para carros pequenos devido à forte chuva que caiu até as primeiras horas da manhã dessa sexta-feira, 13.
A questão dessa ponte é o resumo da realidade na RR-203, a rodovia principal de Amajari. Sob ameaça de desabar, precisou o governador ir pessoalmente ver a situação para determinar a reconstrução da ponte, ainda que a população já viesse cobrando há muito tempo e de moradores de Tepequém terem tirado tempo e dinheiro do próprio bolso para realizar um paliativo, em agosto de 2025, após um motociclista quase ter morrido ao sofrer um acidente e cair de cima da ponte junto com a moto.
O atoleiro que se tornou o desvio para reconstruir a ponte sobre o Igarapé Tucumã ocorre antes mesmo do inverno. A tendência é piorar quando o período de chuva começar. Outras pontes estão com estruturas comprometidas e provocando riscos constantes de acidentes para moradores das vilas, comunidades indígenas, famílias de agricultores de assentamentos e turistas. A principal ponte de acesso a Tepeuquém, sobre o Igarapé do Paiva, também está sob sério risco de desabar. As autoridades já sabem disso, mas não tomam providência. Com certeza, estão esperando o pior acontecer.
Infelizmente, essa é a realidade do principal ponto turístico de Roraima e de centenas de moradores de vários assentamentos, além de grandes pecuaristas (entre eles políticos) e o maior criador de peixe do Estado e do país. A produção de pescado e a pecuária avançam, assim como o turismo se desenvolve, mas o Município de Amajar vive com infraestrutura do tempo do garimpo da década de 1940, inclusive com a RR-203 esburacada, graças uma política igualmente arcaica que domina a região e o Estado de uma forma geral.
*Por Jessé Souza
