
As conexões do garimpo ilegal e o narcotráfico estão bem expostas pelas seguidas operações policiais que mostram a ligação desses dois submundos do crime. A Operação Geminus, desencadeada pela Polícia Civil de Roraima na quarta-feira, 11, é um desses exemplos, em que a logística do tráfico era feita por meio de uso de aeronaves e com o dinheiro ilícito lavado através de empresas de exportação de alimentos e outras ligadas ao segmento de churrascarias em Boa Vista, misturando dinheiro dos seus faturamentos com o dinheiro sujo.
As investigações começaram lá atrás, em abril de 2024, com apreensão de 10Kg da super maconha, o skunk, em Boa Vista, em posse de uma dupla com ligação com o garimpo ilegal, entre eles um garimpeiro. As investigações prosseguiram e a Polícia Civil, com apoio da Polícia Militar, apreendeu 270Kg de skunk, em novembro do mesmo ano, desta vez com um trio no bairro Caranã, um deles responsável por enviar a droga para Manaus (AM).
Os desdobramentos do caso chegaram até aqui, com o bloqueio judicial de até R$ 77 milhões dos envolvidos no tráfico de drogas e lavagem dinheiro, inclusive encontrando conexão internacional com a apreensão de cédulas estrangeiras provenientes da Bolívia, Colômbia, Guiana e Venezuela. De quebra, a polícia descobriu que, na família do grupo, havia venda ilegal de medicamentos usados para emagrecimento.
Nada que surpreenda a opinião pública roraimense, que acompanha silenciosamente as operações policiais pela imprensa e redes sociais, ao mesmo tempo em que muitos questionam o surgimento rápido de duas cidades, a da periferia, com famílias de baixa renda, e das áreas nobres, onde verdadeiras fortalezas da imponência são erguidas do dia para a noite, como se estivéssemos em uma Capital farta de indústrias e empresas petroleiras.
Com o garimpo perdendo força na Terra Indígena Yanomami após dois anos de operações permanentes do Governo Federal, com estratégia baseada em presença constante do Estado, bloqueio logístico e atuação integrada de órgãos federais, o que provocou prejuízo superior a R$ 663 milhões às estruturas da mineração ilegal, o tráfico continua usando a estrutura e rotas que eram utilizadas pelo narcogarimpo.
Com os últimos esperneios diante das ações que reduziam em aproximadamente 98,9% da área de garimpo ativo dentro da terra indígena, entre 2024 e março de 2026, agora a grande estrutura se prepara para outra investida: manter tudo por meio da política partidária. Eles já estão se articulando para conquistarem mandatos eletivos, se unindo a essa parte da elite que tem as mãos sujas e de políticos de antigas bandeiras cujas propostas são avançar a qualquer custo para manter os privilégios.
*Por Jessé Souza
