Obra de asfaltamento durou sete anos e com serviços movimentados somente em ano eleitoral

Obra de asfaltamento da Vicinal Trairão teve contrato iniciado em 31 de dezembro de 2019 (Foto: Divulgação)

Com evento festivo no sábado, assim como tradicionalmente ocorre em ano eleitoral, finalmente foi inaugurada a obra de asfaltamento da estrada da Vila Trairão (AMJ-347), localizada no Município do Amajari, Norte de Roraima. Obviamente que não foi lembrada pelas autoridades a lentidão para a execução do serviço, que se arrastou por longo sete anos e surpreendentemente movimentada somente em ano eleitoral.

O início da vigência do contrato foi em 31 de dezembro de 2019, com prazo para a conclusão da obra em 31 de dezembro de 2024. No entanto, até aquela data haviam sido asfaltados apenas 5km, a partir do entroncamento com a RR-203, que é a estrada de acesso à Serra do Tepequém. Depois de um longo hiato, as obras foram retomadas, não por coincidência em ano eleitoral, faltando poucos meses para encerrar o prazo do convênio. Mas logo em seguida outra vez o trabalho foi paralisado.

Embora as obras tenham sido movimentadas somente em ano eleitoral, além de inaugurada em ano eleitoral, os órgãos fiscalizadores nunca deram uma resposta. O contrato começou com o valor de R$20 milhões, com recursos federais, e contrapartida de R$9.169.129,00 dos cofres estaduais, conforme o Portal de Transparência. O curioso é que a placa com informações da obra nunca apresentou o nome da empresa nem as datas de início e prazo de conclusão, constando apenas que o prazo é de 180 meses.

Esse é um pequeno retrato de como obras públicas são tratadas no Estado, especialmente aquelas longe dos olhares da opinião pública e da imprensa, onde a população teme fazer alguma crítica ou denúncia ou onde a maioria dos moradores acaba cooptada pelas lideranças locais, especialmente vereadores, os quais compõem a grande base dos políticos com e sem mandato.

Se o caso da estrada ocorresse em um país de primeiro mundo, seria um escândalo, seja pela demora para a execução dos serviços, enquanto a população comia o pão que o diabo amassou com atoleiros e buracos; seja pelos trabalhos movimentados somente em ano eleitoral, revelando explicitamente os interesses políticos e os inconfessáveis que permitiram tamanha morosidade e falta de informações públicas sobre a obra.

Nesse período pré-eleitoral, em que os políticos se preparam para confirmar suas candidaturas ou se afastar de seus cargos por imposição da legislação eleitoral, outras obras no interior serão inauguradas às pressas depois de anos de morosidade e abandono, como cena corriqueira que se repete a cada dois anos. E o que era um escândalo acaba em eventos festivos, com a amnésia da população aplaudindo a normalização de tudo isso.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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