
Enquanto Roraima ainda está mobilizado para consertar o passado, ou seja, uma campanha eleitoral de uma eleição suplementar para eleger um governador tampão, é necessário ficar de olhos bem abertos com os grandes desafios do presente: o crime que se estabeleceu a partir de organizações criminosas transnacionais e, também, no garimpo ilegal nas terras indígenas Yanomami e Raposa Serra do Sol.
Por coincidência, os principais fatos que corroboram com isso ocorreram na segunda-feira. Uma delas foi a operação da Polícia Civil de Roraima para desarticular o poderio da facção venezuelana Tren de Aragua, cuja base operacional e financeira está no Estado. A outra foi a ação da Polícia Federal que prendeu em Boa Vista uma mulher que armazenava 780 Kg de produtos químicos utilizados em extração mineral e 200 Kg de explosivos destinados ao garimpo ilegal na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
Um fato é certo. Se a população quiser um Estado com seriedade na política partidária e um desenvolvimento que garanta o bem-estar coletivo, então tem que cobrar das autoridades de todos os níveis de governo que adotem políticas austeras de combate ao crime organizado, tanto do que atua no tráfico de droga e de armas quanto no garimpo ilegal, que reúne também facções venezuelanas e brasileiras na lavagem de dinheiro e outros crimes.
Por estar em uma área que faz fronteira com outros dois países, Roraima é um local estratégico para atuações criminosas de todos os tipos, incluindo grupos criminosos que promovem a migração ilegal, conforme tem sido registrado nas últimas semanas com cubanos e haitianos a partir da fronteira com a Guiana, a Leste do Estado pela BR-401, enquanto a migração venezuelana ao Norte ocorre mediante tentativa de organização por meio da Operação Acolhida.
A posição geográfica favorece a conexão de crimes entre América do Sul e América do Norte. A prova disso, conforme a Polícia Civil, é que o armamento pesado traficado pelo Tren de Aragua para o Brasil vem dos Estados Unidos, que esconde essa informação importante enquanto acusa os países da América Latina como estratégia para tentar ocupar ou invadir os países visando o petróleo, minerais críticos e terras raras.
Essa é a importância das duas ações que ocorreram na segunda-feira no combate à facção venezuelana Tren de Aragua e na apreensão de materiais usados no garimpo ilegal, pois esses dois crimes se cruzam e se complementam. Quando o crime organizado se articula, como ocorre em Roraima, abre-se uma longa avenida para atuação na política, com a cooptação de políticos, policiais, autoridades judiciais e outros profissionais estratégicos, o que favorece a corrupção e a lavagem de dinheiro, que por sua vez abre portas para todos os tipos de crimes.
Roraima não pode se tornar esse antro do crime organizado, onde um poder paralelo se estabelece, como está ocorrendo em estados nordestinos, e onde o crime organizado tomou o poder, a exemplo do Rio de Janeiro. Roraima só está nesse tormento eleitoral por causa de uma política errada, onde o crime organizado tenta se estabelecer definitivamente como um poder paralelo.
*Por Jessé Souza
