Pedra Pintada, um passeio por registros misteriosos de nossos ancestrais

Localizado na Terra Indígena São Marcos, o Sítio Arqueológico Pedra Pintada teria sido abrigo de povos primitivos em passado muito remoto, desaparecidos há milênios, onde deixaram seus registros milenares até hoje indecifráveis que podem ser vistos em um paredão de granito onde estão as pinturas, algumas destas alcançando até mesmo cerca de 15 metros de altura

Pedra principal do Sítio Arqueológico Pedra Pintada (Fotos: Jessé Souza)

Em Roraima, existe um lugar que representa um momento único para se observar os registros de nossos ancestrais e sentir uma atmosfera de estar em contato com a História longínqua da humanidade nesse pedaço do Planeta. Trata-se do Sítio Arqueológico da Pedra Pintada, composto por um conjunto de formações rochosas, situado dentro dos limites da Terra Indígena de São Marcos, a 145 quilômetros da Capital, no sul do Município de Pacaraima, na divisa com o Município de Amajari, Norte do Estado

Os pesquisadores dizem que a principal pedra do sítio tem cerca de 40 metros de altura, onde existe uma caverna cujas paredes apresentam pinturas rupestres. Lá também foram encontrados pedaços de cerâmicas, machadinhas, contas de colar, entre outros artefatos, os quais não se sabe onde estão guardados atualmente. Pelo lado de fora é possível ver pinturas em cor branca rosada, fato que deu o nome de Pedra Pintada.

Os registros rupestres da Pedra Pintada podem ajudar a dar uma luz sobre a compreensão do passado, mas as pesquisas arqueológicas não avançaram e o local não está protegido como deveria, a não ser com placas indicando que se trata de área do patrimônio histórico a ser preservada.

A região encanta por sua beleza ao longo de uma extensa planície. A pedra é considerada um monumento megalítico imenso, ainda indecifrado pelos pesquisadores. Conforme narraram os estudiosos do assunto, a Pedra Pintada assemelha-se a um ovo pétreo gigantesco, com cerca de 60 metros de comprimento, 40 de altura e 40 de largura.

OS MISTÉRIOS QUE PERMANECEM INTOCADOS

Para chegar ao sítio arqueológico é necessário atravessar o Rio Parimé

Quem chega ao local, logo na entrada do sítio arqueológico, se depara com o Rio Parimé, onde no passado um pouco distante existia uma ponte de madeira para fazer a travessia. Hoje existem apenas resquícios da estrutura da ponte. Mas, no período de verão, de dezembro a março, pode-se atravessar a pé se equilibrando pelas rochas que “brotam” do rio, como se fossem esculturas de pedras.

Ainda na margem do rio, subindo numa pequena rocha frontal, dá para observar o visual do conjunto das três pedras maiores que formam o sítio arqueológico. A pedra mais importante é a última da trilha, onde estão os registros históricos da pré-história, cujo acesso é por uma picada no meio do lavrado.

Visão panorâmica do Sítio Arqueológico às margens do Rio Parimé

O acesso ao sítio arqueológico é pelo trecho norte da BR-174, em direção à Venezuela, a 130 Km de Boa Vista, a partir de onde é necessário entrar pela RR-400, o acesso principal. São 15Km de vicinal na piçarra. Mas, quem decidir visitar o local, precisa pedir autorização para não enfrentar contratempos. Informações podem ser obtidas na Associação dos Povos Indígenas de Roraima.

INSCRIÇÕES RUPESTRES E O PROTO-ALFABETO

Pedra Pintada tem amplo acervo de inscrições rupestres de coloração avermelhado-escura (à
direita); à esquerda, símbolos e ornamentos identificados por Marcel Homet junto às inscrições

Há indício de a Pedra Pintada ter servido de abrigo para povos primitivos em um passado muito remoto. O paredão de granito altaneiro é como se fosse um mural feito há milênios por “artistas” do passado, com várias pinturas, algumas alcançando até mesmo cerca de 15m de altura, como se a pedra tivesse sido escalada para que a pintura fosse realizada.

São figuras variadas, constituídas de linhas e pontos justapostos, com a tradicional presença do círculo, símbolo do sol, circundando um menor, símbolo da lua, e centralizado por um ponto. Outros símbolos assemelham-se a linhas em zigue-zague, pontos sequenciais, retângulos estilizados e representações difíceis de serem identificadas.

No alto da pedra ovalada, a cerca de 15 m de altura, há uma imagem em forma ondulatória, semelhante a uma grande serpente que sugere, na verdade, serem duas serpentes, uma sobrepondo-se à outra. Essa representação ondulada segue um padrão lógico e expressivo, como se quisesse reproduzir uma ideia bem definida ou um conjunto de ideias, pois logo abaixo há uma profusão de representações diversificadas alinhadas verticalmente até sua base.

Podem ser identificados também pequenos sóis brilhantes e figuras com motivos desconhecidos ao lado de sequências de riscos justapostos que conduzem-nos a pensar se tratarem de letras esporádicas ou mesmo de uma forma de escrita.

Para alguns pesquisadores desse monólito, as pinturas ali gravadas são de períodos muito antigos, alguns remontando a cerca de 12 a 15 mil anos, onde estão registrados caracteres que se projetam de um passado bem longínquo, uma espécie de proto-alfabeto, em que podem ser encontrados signos em muitos outros alfabetos conhecidos, como o grego, o egípcio, o etrusco, o fenício, o hebraico, etc.

Tais caracteres, representados especialmente pelo pesquisador francês Marcel Homet, mostram uma vasta e rica simbologia que favorece uma meditação sobre sua origem e que tipo de cultura os teria reproduzido. Desta forma, estas representações rupestres pré-históricas só fazem aumentar o mistério deste monumento lítico mais importante de Roraima, pois até hoje são capazes de confundir a mente dos pesquisadores mais experiente, fazendo-os refletir sobre tão intrigante mistério.

As pinturas são feitas em pigmentos avermelhados, muitas em perfeito estado de conservação, enquanto outras, mais esparsas, já podem ser vistas castigadas pela ação do tempo. Percorrendo ao redor da pedra, podem ser observados outros blocos de pedra menores, onde existem desenhos variados, todos gravados em pigmento vermelho vivo.

O conjunto dessas pinturas e pedras é chamado de Sítio Arqueológico da Pedra Pintada. É por isso que, se não for preservado de forma urgente, pode desaparecer um dos mais importantes patrimônios arqueológicos do Brasil.

EL DORADO E O GRANDE LAGO DE MANOÁ

Foto antiga mostra que no entorno da Pedra Pintada formava-se um grande lago

Para alguns pesquisadores, a Pedra Pintada teria surgido na Era Mesozóica, nos períodos do Cretáceo e Jurássico, a cerca de 67 e 137 milhões de anos. Outros adotaram a teoria de que a região teria sido um grande lago chamado de Lago de Manoá e que cobria parcialmente a Pedra Pintada, justificando assim a altura em que são encontradas certas pinturas gravadas em seus paredões retilíneos.

Esta teoria povoa a imaginação de exploradores do passado que alimentavam a antiga lenda da “cidade de ouro”, desaparecida em meio à floresta amazônica e exaustivamente procurada pelos descobridores espanhóis e aventureiros audaciosos, que nada mais é do que o misterioso El Dorado.

OVO GERADOR DO MUNDO

Pedra principal assemelha-se a um grande ovo cósmico

Em em seu livro Os Filhos do Sol, Marcel Homet escreveu que a Pedra Pintada e seus registros excepcionais assemelham-se a um elipsóide colossal, comparando-a a um ovo. Assim ele escreveu: “Imediatamente recordamos o ovo ‘cosmogênico’, a antiga tradição do ‘Ovo gerador do mundo’. A este pensamento junta-se logo um outro, o ‘ovo primitivo’ das velhas terras do Mediterrâneo, que aparecia sempre acompanhado de uma serpente. Que vemos no frontal da Pedra Pintada? A antiga serpente da tradição, pintada no meio da parte central. Essa pintura foi executada tão alto que seu criador, tendo o nosso tamanho, deve ter precisado de andaimes gigantescos”.

P.S.: Fonte de consulta: J. A. Fonseca, economista, escritor, conferencista, estudioso de filosofia esotérica e pesquisador arqueológico.

Deixe uma resposta