Começa a cair a máscara do presidente da CBF, que já era cercado por notícias de escândalos

Coluna EM PAUTA comenta sobre a operação da Polícia Federal, na manhã desta quarta-feira, que tem como alvo o presidente da CBF, Samir Xaud, a deputada federal Helena da Asatur e o marido da parlamentar, Renildo Lima, que já foi preso durante uma operação por compra de votos e flagrado com dinheiro na cueca

Presidente da CBF, o roraimense Samir Xaud (Foto: Divulgação)

BOM MOÇO

Começou a cair a máscara de bom moço do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o roraimense Samir Xaud, que foi tratado como uma grande personalidade pela imprensa roraimense e autoridades quando ele assumiu a maior entidade que lidera a prática esportiva de futebol do país no dia 25 de maio. Antes de ser alvo de uma operação policial, Xaud já tinha ligações em seu círculo familiar e social com pessoas envolvidas em escândalos, inclusive em dois casos de dinheiro encontrado na cueca.

Presidente da CBF, Samir Xaud, e a deputada federal Helena da Asatur (Fotos: Divulgação)

OPERAÇÃO

Samir Xaud, a deputada federal Helena da Asatur (MDB) e o marido da parlamentar, Renildo Lima, foram alvos de uma operação de busca e apreensão pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira, 30. Todos são alvos da Operação Caixa Preta, que está investigando suspeita de compra de votos nas eleições municipais de 2024. Outros sete mandados de busca e apreensão também foram cumpridos.

Renildo Lima durante a prisão com dinheiro na cueca (Fotos: PF)

DINHEIRO NA CUECA

O marido da deputada, Renildo Lima, foi preso pela PF durante a campanha eleitoral de 2024, em setembro, com R$ 500 mil, em que parte do dinheiro estava na cueca dele. Outras cinco pessoas foram presas com ele: uma advogada, dois policiais militares e outros dois suspeitos, acusados pela prática de crimes eleitorais e associação criminosa armada. Todos foram soltos no dia seguinte à prisão, por determinação da Justiça Eleitoral, durante audiência de custódia.

SÓCIA PRESA

Samir Xaud, médico de formação, é o primeiro suplente do MDB na Câmara dos Deputados por Roraima. Ele é proprietário da empresa Life Ftiness, um centro de treinamento voltado ao fitness e bem-estar em Boa Vista, que tem como sócia a empresária Simone Bekel, que em dezembro de 2018 foi alvo da Operação Escuridão da Polícia Federal, junto com o marido, que na época era recém-eleito deputado estadual Renan Bekel Filho.

SISTEMA PRISIONAL

A operação foi resultado dentro da investigação sobre um suposto esquema de fraudes em contratos para fornecer alimentação em presídios e unidades de saúde. Renan Bekel Filho e a mulher foram presos junto com um dos filhos dos ex-governadores Neudo e Suely Campos, o empresário Guilherme Campos, em dezembro de 2018, além de outras 11 pessoas, em um esquema que supostamente movimentou R$ 70 milhões desde 2015.  Depois, o parlamentar acabou sendo cassado por compra de votos.

Laudo mostra dinheiro na cueca de senador Chico Rodrigues

CUECA DO SENADOR

Além disso, duas irmãs de Xaud foram envolvidas com escândalos. Uma delas, Samara Xaud, era assessora do senador Chico Rodrigues, aquele do famoso caso dos R$ 33 mil na cueca durante operação da PF em 2020. Ela  é casada com o ex-deputado Jean Frank Lobato, apontado na investigação como suposto operador do senador, que envolvia recursos do Distrito Sanitário Yanomami. A suspeita era a de que o empresário cobrava 10% dos lucros das empresas que atuavam na Terra Indígena Yanomami.

SUPERFATURAMENTO

A segunda irmã, Sandrea Xaud, é casada com outro empresário dono de uma empresa que, durante a pandemia, foi contratada pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) para fornecimento de testes rápidos, empresa esta alvo da Operação Desvid-19, sob suspeita de compra superfaturada em cerca de R$ 1 milhão. Foi durante

PEN DRIVE

Por coincidência, depois de toda essa repercussão em torno do nome e familiares do médico roraimense que encarou os cartolas do futebol brasileiro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu guardar o pendrive com imagens gravadas pela PF, durante busca e apreensão do senador Chico Rodrigues, no caso do dinheiro na cueca em outubro de 2020. Como relator do caso, o ministro entende que o pedrive com “imagens sensíveis” deveria ficar guardado na Corte.

Deixe uma resposta