Operação é deflagrada para apurar homicídios e cemitério clandestino em invasão no Pricumã

Descoberto em 20 de janeiro deste ano, cemitério clandestino localizado em uma invasão conhecida como Favelinha, que fica numa área de mata ciliar do Igarapé Pricumã, ainda segue com dois dos nove corpos não identificados e sem ninguém responsabilizado pelos crimes cometidos provavelmente por uma facção venezuelana

Local da operação ocorre na área de invasão conhecida como Favelinha (Foto: MPRR)

Sete meses após a descoberta do cemitério clandestino no bairro Pricumã, o caso ainda segue sendo investigado, pois apenas dois dos nove corpos foram identificados e ninguém foi responsabilizados pelos crimes. Na manhã desta quarta-feira,30, uma operação foi deflagrada pelo Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), em conjunto com a Polícia Civil e com o apoio da Polícia Militar.

Chamada de Operação Sepulcro, a ação ocorre em um terreno onde os corpos foram encontrados na mata ciliar do Igarapé Pricumã, conhecido como “Favelinha”. O objetivo é apurar a prática de homicídios provavelmente cometidos por integrantes de uma facção venezuelana que atuação no Estado e que continua fazendo vítimas em Boa Vista. As investigações indicam a existência de um cemitério clandestino utilizado pelo grupo criminoso para ocultar os corpos de vítimas executadas, todas de nacionalidade venezuelana.

Conforme o MPRR, a operação visa o cumprimento de mandados judiciais de busca e apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos, como celulares, e segue sob sigilo, a fim de garantir a efetividade das diligências e a preservação das provas. Participaram da ação os grupos de elite da Polícia Civil e da Polícia Militar de Roraima, que foram responsáveis por dar suporte a operação.

A operação recebeu o nome de Sepulcro porque as autoridades encontraram, em 20 de janeiro deste ano, nas imediações, vítimas enterradas em condições precárias, configurando o local como um verdadeiro sepulcro clandestino.

Cemitério clandestino foi encontrado na área de mata ciliar do Igarapé Pricumã (Foto: MPRR)

A Polícia Civil identificou apenas dois dos nove corpos encontrados enterrados em um cemitério clandestino em Boa Vista. Um deles é do venezuelano Nestor Policarpo Petruce Rodriguez, de 34 anos, que estava desaparecido desde o dia 24 de dezembro de 2024, véspera de Natal. Outro é da venezuelana Noelis Del Valle Cana, de 38 anos, que estava desaparecida desde o dia 8 de novembro do mesmo ano.

As vítimas foram identificadas por meio de exames de arcada dentária e pelo banco de dados do Instituto de Medicina Legal (IML). A causa das mortes foi choque hemorrágico, provocado por um ferimento de arma branca. Sete corpos ainda não foram identificados.


O cemitério clandestino onde foram encontradas nove pessoas enterradas foi descoberto no dia 20 de janeiro deste ano em uma área de mata na divisa dos bairros Pricumã e Cinturão Verde. No primeiro dia foram encontrados cinco corpos, entre os quais o de duas mulheres enterradas na mesma cova.

Depois, no terceiro dia de buscas, foram encontrados mais quatro corpos, totalizando nove vítimas. A Polícia Civil encerrou as buscas no local e começou a investigar se os crimes teriam relação com a facção criminosa venezuelana. As primeiras ações identificaram que os criminosos usavam cal para disfarçar o mau cheiro na região.

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