Enquanto o caso em Minas provocou indignação nacional, em que um empresário matou um gari e foi malhar na academia, em Roraima segue impune, há um ano, a morte de um casal, no Cantá, em que um capitão da PM, que era chefe de Segurança do governador, presenciou o crime e foi jogar futevôlei
MATOU E FOI MALHAR

Ganhou ampla repercussão o caso do empresário René da Silva Nogueira Junior, 46, que matou o gari Laudemir de Souza Fernandes, 44 anos, durante discussão de trânsito, em Belo Horizonte (MG). Depois de matar a tiros o gari que trabalhava coletando lixo, o empresário – que tem “Deus, Pátria e Família” na descrição do seu perfil – foi malhar em uma academia de alto padrão, onde foi preso. Mesmo sendo marido de uma delegada, a ampla repercussão do assassinato pressionou as autoridades para que ele ficasse preso, mesmo não tendo sido preso em flagrante.
FOI PARA O FUTEVÔLEI

Em Roraima, um caso muito parecido não ganhou toda comoção necessária que o bárbaro crime exigia. Trata-se do assassinato do casal de agricultores Flávia Guilarducci e Jânio Bonfim, executado a tiros na Vicinal Surrão, no Município do Cantá, em 23 de abril do ano passado. Presente no local no momento do assassinato, o então chefe de Segurança do governador Antonio Denarium, capitão da Polícia Militar Helton John da Silva de Souza, não fez nada nem sentiu qualquer remorso. Depois do crime, o capitão foi jogar futevôlei no complexo Ayrton Senna com os amigos.
ROTEIRO PATRIOTA

O cruel assassinato segue o mesmo roteiro “Deus, Pátria e Família”. O capitão que testemunhou o casal sendo morto a tiros, inclusive com tiro de misericórdia, congrega na mesma igreja evangélica onde o pastor era o então comandante da PM, coronel Miramilton Goiano, que inclusive passou a ser investigado por também não ter tomado providências, ao ser comunicado do crime pelo próprio capitão, que por sua vez o teria aconselhado a trocar de celular.
ULTRAJANTE IMPUNIDADE
O coronel Miramilton deixou de ser comandante da PM recentemente após ser investigado de comandar um grupo que vendia armas e munições ilegais para garimpeiros. O capitão Helton John chegou a ser preso à época, mas foi solto em seguida sem que isso tivesse motivado qualquer comoção social. Inclusive, o principal acusado de ter matado o casal, o empresário Caio de Medeiros Porto, 33 anos, segue foragido até hoje, em uma vergonhosa e ultrajante impunidade em que os envolvidos tinham passe livre no Palácio do Governo.
