Mochilas recheadas de dinheiro e a preocupante realidade em todos os extremos do Estado

Dinheiro apreendido em mochila em uma das operações da PF em Roraima (Foto: PF/Divulgação)

Enquanto a Polícia Federal prende pessoas em Boa Vista portando mochilas cheias de dinheiro, com envolvimento de policiais militares de alta patente e ligações com políticos do alto escalão, todas as demais regiões nos extremos do Estado também estão registrando ações policiais e outros casos que mostram que o Estado está cercado por um grande crime organizado, conectado entre si ou não. Senão, vejamos!

Na Capital, quatro operações da PF apreenderam mochila de dinheiro sob suspeita de desvio de recursos públicos: em setembro de 2025, três pessoas presas com R$510 mil em dinheiro vivo; em outubro de 2025, um homem preso com quase R$300 mil; em janeiro desse ano, um homem foi preso com R$150 mil, o que revelou conexões com o atual governador; em março desse ano, dois homens foram flagrados com R$1 milhão.

A região Leste do Estado é marcada por apreensões de barras de ouro ilegal na BR-401 enviadas para serem “esquentadas” na Guiana, onde o garimpo é legalizado. De lá, tem partido um grande esquema de envio de mercúrio para o garimpo ilegal em Roraima. Também é rota de tráfico de pessoas, tanto de envio de mulheres para os garimpos guianenses quanto para receber migrantes ilegais, principalmente cubanos e haitianos.

Por sua vez, a região Oeste do Estado, especialmente no Munício Alto Alegre, que se interliga ao Município de Mucajaí, a rodovia estadual RR-205 é rota do garimpo ilegal desde o auge do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, onde o narcogarimpo se instalou, contaminando a política onde os prefeitos envolvidos em corrupção já foram cassados e pelo menos um deles preso pela PF. Inclusive uma eleição suplementar foi marcada por explícito esquema de compra de voto.

O Norte do Estado, por meio da BR-174 que interliga o Estado à Venezuela, é dominado pelo tráfico de droga e de armas comandado pelo narcogarimpo, além de entrada e saída de facionados venezuelanos, imigração ilegal tolerada pelas autoridades. Barras de ouro ilegal também transitam de lá para o Brasil com a finalidade de lavar dinheiro de esquemas que envolvem empresas locais envolvidas em esquemas, conforme aponta as investigações da PF.

No Sul do Estado, na divisa de Roraima com a Amazonas interligados pela BR-174, o crime organizado interestadual tenta manter o controle, com registros criminais dos mais cabulosos. Inclusive, em uma operação realizada pela Polícia Civil, nessa terça-feira, o delegado Rick da Silva e Silva foi preso em Rorainópolis, sob fortíssimas suspeitas de cometer fraude processual nas investigações; uma delas sobre a morte de um casal encontrado carbonizado em dezembro do ano passado, caso este com um enredo que envolve membros de uma facção nacional envolvida em agiotagem com dinheiro de tráfego de droga.

Outros fatos cabulosos já vinham sendo investigados, entre assassinatos (um deles de uma jovem praticada por um PM), assaltos, tráfico e crimes eleitorais. Em abril de 2025, o depoimento de um homem presos acabou revelando que um policial militar estaria contribuindo para facilitar a entrada de cocaína no posto fiscal da Vila Jundiá, que é a entrada e saída de Roraima para o Estado vizinho. E ainda disse que seus principais clientes consumidores seriam policiais e empresários da localidade.

Aqui está um triste e preocupante resumo do que o Estado de Roraima se transformou, onde a compra de voto foi institucionalizada, as facções interestaduais e transnacionais se instalaram, o crime organizado estendeu seus tentáculos onde há garimpo ou agentes de governos e policiais envolvidos em corrupção.

Além da corrupção sistêmica com dinheiro público, em que não apenas o centro do poder está sob investigação, na Capital, mas os municípios do interior. Nem a Universidade Estadual de Roraima (UERR) foi poupada dos desmandos na Capital e interior, em que a instituição está sob ameaça de fechar as portas.

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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