Escola em Mucajaí se torna exemplo do retumbante desprezo com a Educação no Estado

Na área central de Mucajaí, prédio da tradicional Escola Estadual Coelho Neto virou escombro (Foto: Divulgação)

A situação do prédio onde funcionou a tradicional Escola Estadual Coelho Neto, no Município de Mucajaí, é o retrato fiel de como as autoridades municipais e estaduais tratam a Educação em Roraima. Por um retumbando descaso por parte da Prefeitura de Mucajaí e do Governo do Estado, que deixaram de agir para impedir que mais uma unidade de ensino tivesse as portas fechadas e o patrimônio abandonado.

Tudo começou lá atrás, ainda em 2013, quando a Prefeitura de Mucajaí pediu o prédio do Governo do Estado para que lá fosse construída a nova sede do Executivo municipal. A unidade de ensino foi desativada pelo governo e retirada do Censo Escolar, o que decretou o fechamento definitivo da escola, sem que ninguém levantasse a voz contra o fato.

Ninguém sequer se importou que ali não havia apenas um centro do saber necessário para aquela população interiorana, mas um local histórico para a Educação de Mucajaí, localizado às margens do trecho sul da BR-174. Nem mesmo os vereadores da localidade sentiram-se motivados a agir. Nem prefeito, muito menos o governador da época. Para todos eles, normal fechar uma escola ainda que ali houvesse uma história ser preservada.

Sala de aula foi completamente depredada por vândalos e usuários de drogas (Foto Divulgação)

Como a nova gestão de Mucajaí desistindo do projeto de construir a sede da Prefeitura, o prédio seguiu abandonado, incialmente sendo alvo de vândalos e furtos de tudo aquilo que podia ser levado. Depois foi ocupado por migrantes venezuelanos. Mais tarde invadido para dar lugar a uma carvoaria. Por último, se tornando ponto de venda e consumo de drogas. Tudo na área central de Mucajaí, à vista de todos e onde deveria estar servindo para educar crianças e adolescentes.  

O abandono seguiu nos últimos anos dos atuais governos municipal e estadual. Nem haveria qualquer esperança de que o governo estadual pudesse tomar providência, uma vez que foi nessa administração, entre os anos de 2019 e 2025, que 194 escolas foram encerradas em Roraima, conforme dados do Anuário da Educação 2025, que é mais um dado preocupante diante de vários escândalos que ocorreram na Educação no mesmo período.

O Ranking de Competitividade dos Estados é outro termômetro sobre esse abismo de escolas fechadas e operações policiais na Educação estadual: Roraima ficou na 23ª colocação no pilar de Educação, colocando-se entre as piores estruturas de ensino do país. O levantamento levou em conta a avaliação de critérios como frequência escolar, qualidade do ensino fundamental e médio e o Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (IOEB).

Já sabemos que, quanto menos escolas numa sociedade, mais pessoas são encarceradas no sistema prisional, consumindo recursos públicos que poderiam estar sendo aplicados na própria Educação e em outros setores importantes para o bem coletivo. O fechamento da tradicional escola em Mucajaí tornou-se o símbolo da decadência da Educação roraimense, onde nos últimos anos foram fechadas 194 escolas na Capital e interior, enquanto nenhuma escola nova foi construída.   

*Por Jessé Souza

jesseroraima@hotmail.com

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