Serra do Tepequém pertenceu a uma empresa belga, que comprou a licença de garimpagem na década de 1950 e passou a cobrar dos garimpeiros para que eles pudessem trabalhar

Antes de se tornar o principal ponto turístico de Roraima, a Serra do Tepequém, no Município do Amajari, a 210Km de Boa Vista, ao norte do Estado, foi o principal garimpo de diamantes da América Latina entre nas décadas de 1940 e 1960. Tepequém chegou a ser a primeira área, de fato, internacionalizada de Roraima, quando a licença de garimpagem foi vendida para uma empresa da Bélgica no início da década de 1950.
As primeiras expedições em busca de diamante na região foram feitas em 1930, sob o comando do geólogo Mezach Breusntz, da Guiana Holandesa (hoje Suriname). Ele ficou conhecido como “Bruston”. Contratado por um fazendeiro local, denominado Antônio “Piauí”, Bruston veio com mais três experientes garimpeiros da então Guiana Inglesa para iniciar as pesquisas em busca do minério em Tepequém.
Apesar da descoberta dos diamantes, a exploração efetiva só começou a partir de 1937,quando os primeiros garimpeiros começaram a chegar. Em seguida, um grande proprietário de gado do Vale do Rio Branco, Adolfo Brasil, começou a requerer posse de várias áreas garimpos, nos fins da década de 1940. A garimpagem já estava no auge quando a licença de lavra foi concedida, em 1950, para a Empresa de Mineração Tepequém Ltda.
Adolfo Brasil vendeu a licença para o seu sócio, Leontino Alves de Oliveira, um garimpeiro maranhense que tinha vindo de Tocantins, que por sua vez vendeu a concessão para uma empresa belga, em 1953, que adotou o mesmo nome da empresa brasileira.

O proprietário do garimpo de Tepequém passou a ser judeu Joseph Hellinges, que deixou como encarregado o seu filho Poul Hellinges, que passou a ser chamado de Paulo ou “Gringo” pelos brasileiros. Era ele quem comandava a exploração de diamantes, com os garimpeiros tendo que pagar pelo diamante que pegavam, caso quisessem trabalhar na serra, além de adotar um ousado projeto de prospecção, com uso de dinamites, conforme veremos depois.
Assassinato de Gringo acabou sendo chamado de ‘a libertação de Tepequém’

Devido a divergências por causa do garimpo, insufladas pela forte resistência de garimpeiros para se submeterem às determinações da empresa estrangeira, Poul Hellinges, o Gringo, acabou sendo assassinado a tiros por um garimpeiro. O crime ganhou repercussão internacional.
Depois da morte do estrangeiro, em 1956, a empresa encerrou suas atividades em 1957, quando o garimpo ficou “sem dono”, fato este chamado pelos garimpeiros de “a libertação de Tepequém”, funcionando desta forma até o fechamento definitivo em meados da década de 2000, quando o turismo começou a ser o principal atrativo.

Fases do garimpo de diamante
A exploração de diamantes experimentou algumas fases até chegar ao turismo. A primeira delas foi a chegada dos primeiros garimpeiros em 1937. A partir daí, começou a corrida pelo diamante, cujo apogeu da exploração manual foi entre as décadas de 1940 a 1950. Na década de 1960 viver do diamante começou a decair.
Depois desse auge e o início da decadência da exploração manual, em 1970 começaram a chegar os primeiros maquinários, dando início a uma nova fase da busca pelas pedras preciosas. A prospecção com máquinas seguiu até o fim da década de 1990, quando o garimpo com máquinas foi proibido definitivamente. Mas até hoje é permitido que antigos garimpeiros trabalham de forma artesenal.
No início da década de 2000, com a decadência completa do garimpo, foi dado início ao turismo como atividade econômica alternativa para garantir a sobrevivência de quem morava em Tepequém e dependia exclusivamente da exploração de diamantes.
*Fonte e fotos: PDF elaborado pela família dos belgas que compraram a concessão da lavra, quando eles vieram ao Brasil, em 2017, para lembrar a saga dos familiares em Tepequém
Publicado originalmente no blog SERRA DO TEPEQUÉM (serradotepequemrr.blogspot.com) em 2020
